Vilamar foi uma freguesia pertencente ao Concelho de Cantanhede, com 6.20 km² de área e uma população de aproximadamente 800 habitantes. A freguesia foi extinta em 2013, no âmbito de uma reforma administrativa nacional, tendo sido agregada à freguesia de Corticeiro de Cima, para formar uma nova freguesia, denominada União das Freguesias de Vilamar e Corticeiro de Cima. Apresenta uma densidade populacional de 124.2 hab/km². Situa-se a cerca de 15 quilómetros do mar, sendo, portanto, a sua influência sentida no clima ameno apresentado pela região. Dista 11 quilómetros da sede do Concelho e aproximadamente 35 quilómetros da sede de distrito a que pertence, Coimbra, tendo como limites as freguesias de Corticeiro de Cima, Fonte de Angeão, Covão do Lobo, Febres e S. Caetano.
É uma das terras mais conhecidas no mundo da ourivesaria portuguesa desde meados do século XIX, tendo na sua população um enorme reservatório de artífices que trabalham os metais preciosos. Terra de ourives, atividade de muitos dos seus habitantes, tendo estes levado a todos os cantos do País, desde as veredas do Minho aos córregos do Alentejo, os artigos de ouro por si confecionados.
A agricultura é também uma das ocupações principais das suas gentes. No que concerne a este facto, a freguesia integra-se, por sua vez, na região natural da Gândara. Caracterizam esta região terrenos arenosos dunares e planos mais ou menos improdutivos. Ao longo dos anos, o povo gandarês, considerado laborioso e humilde, procedeu à tarefa ingrata de adubar as suas terras com a agulha do pinheiro e o estrume dos estábulos. Também outrora comprava carradas de caranguejo (escasso) e algas (moliço), que viriam a ser utilizados como fertilizantes. Era também típico em casa de proprietários rurais, geralmente ligados à ourivesaria, ver-se raparigas "a servir" e trabalhadores eventuais pagos ao dia, alguns "a seco" (pagamento exclusivamente monetário/material), ou "a de comer" (pagamento incluía a oferta de alimentação).
Um dos símbolos mais marcantes da região é a Casa Gandareza, que, por condicionalismos físicos e económicos, constituía a habitação rural típica desta população. É uma construção que utiliza materiais ligeiros, com predomínio do adobe e da madeira de pinho, durando sensivelmente uma vida humana. A casa é térrea, de duas águas, com um pátio fechado, geralmente orientado para sul, cuja fachada principal se compõe, invariavelmente, de janela-porta-janela. A sua planta típica é constituída por sala e meia-sala, na parte frontal do edifício; de seguida, figuram dois quartos, separados por um estreito corredor que desemboca, inevitavelmente, na cozinha.
Toponímia
Relativamente à origem do povoado que hoje é conhecido como Vilamar, outrora Escumalha, bem como dos antepassados dos que atualmente constituem a sua população, não há dados precisos. A área geográfica onde hoje se confina Vilamar, era, até ao século XVI, floresta e matagal, completamente desabitada. O topónimo Escumalha encontra-se intimamente relacionado com a hipótese atualmente mais aceite no que concerne ao primeiro povo a habitar esta região: pensa-se que estes pioneiros correspondem a um povo Judeu, que ali se fixou para se furtar à perseguição por parte da Inquisição, sítio esse onde prosperou em resultado do seu dinamismo. A relação estabelecida por este povo com os habitantes mais próximos da região não era o melhor, dado serem quizilentos e pouco comunicativos. Tal facto terá dificultado a criação de laços de amizade, o que lhes valeu o epíteto "Escumalheiros" - que etimologicamente, significa, em tom depreciativo, coisa sem valor, restos. Mais tarde, os Vilamarenses briosos, sabendo o que queriam, achavam que o nome Escumalha para a sua terra era depreciativo, e que não espelhava a maneira de ser das pessoas que lá viviam. Por isso em Assembleia Magna, foram propostos alguns nomes, como Vila do Ouro, Vilamar, entre outros. A 6 de julho de 1940, foi emanado do diário do Governo o Decreto-Lei que fixava o nome da povoação como Vilamar, deixando para trás o de Escumalha.
Atividade Económica
Sendo ou não descendentes de Judeus, facto é que os elementos que caraterizam este povo - destaquem-se a fisionomia, a perspicácia, a inteligência e a capacidade exacerbada no negócio - permitem facilmente estabelecer a relação aqui mencionada, se recordarmos a profissão de ourives intimamente relacionada à região. Esta relação surge do Regulamento das Contrastarias no final do séc. XIX, que permite desenvolver a ourivesaria popular, caraterizada pela manufatura de objetos de baixo preço e de uso pessoal, destinada à população rural. Concominantemente, surgem os ourives ambulantes na região Gandareza, onde o peso específico de Vilamar se acentua ao longo dos anos. Emerge, assim, um grupo social com poder económico superior ao cenário geral da região Gandareza.
Tendo como alternativa a agricultura de subsistência no limiar da pobreza, praticamente todos os filhos de proprietários, aliciados por ourives familiares e amigos já estabilizados, experimentaram fazer a "volta":
"Desta forma partiram, transportando no suporte da bicicleta, o pequeno baú de folha de flandres, pintado de cor verde (mala verde) recheado de cartões de ouro e prata, complementado com relógios, e semanas mais tarde regressam, se o negócio correr bem, com algum cascalho e dinheiro"
Na década de 1930 existiam mais de 60 ourives ambulantes oriundos da Escumalha, a exercer a sua actividade em todo o país. Com o decorrer dos anos, uma parte conseguiu angariar fortuna; alguns radicam-se em Vilamar como fornecedores de artigos de ourivesaria; outros estabelecem-se nas mais variadas regiões do país - de facto, é possível encontrar ourivesarias de Vilamarenses desde o Algarve a Trás-os-Montes. Hoje em dia, existe ainda em Vilamar uma quantidade significativa de ourives e relojoeiros, que se dedicam ao concerto/reparação (e até fabrico) de peças de ourivesaria/relojoaria.
Criação da Freguesia
No mesmo período, começa-se a assistir a um conjunto de realizações fulcrais para o desenvolvimento da freguesia. Realçam-se a instalação da luz eléctrica, melhoramento ímpar na altura, sendo Vilamar uma das terras pioneiras na instalação desta regalia. Também os Correios se constituíram com um dos grandes empreendimentos a que Vilamar teve acesso. Os serviços de correio de Vilamar nascem a 15 de Novembro do 1941, com a designação de Posto de Correio de 3ª classe de Escumalha, sendo esta designação alterada, pouco mais tarde, para Posto de Correio de Vilamar. Por alvará de 7 de Dezembro de 1942 foi elevado a Posto de Correio, de Telégrafo a Telefone de 3ª classe.
A criação da Freguesia foi outro passo importante, desmembrando-se de Febres. Muito se teve de trabalhar, e muitas vezes em vão. Todavia, este Povo, dotado de grande força de vontade, rompeu todas as barreiras. Primeiro, com o Bispado de Coimbra que, na altura dificultou a criação da Freguesia Religiosa; depois, com a Freguesia de Febres. Tudo foi possível criando-se, primeiro, a Reitoria de Vilamar; depois da construção da igreja, a Freguesia Religiosa; seguiu-se a Freguesia Civil, por despacho de 12 de Julho de 1986, emanado da Assembleia da República.
Atualmente, Vilamar está diferente para melhor. Um conjunto de infraestruturas veio proporcionar aos seus habitantes condições próprias ao seu bem-estar. Construiu-se uma bela igreja e respetivos anexos; existem três salas de aula a funcionar; possui ainda um jardim-de-infância oficial. Os acessos às terras vizinhas são feitos por estradas que têm sofrido alguns melhoramentos, o que veio facilitar o contacto com outras pessoas. É de salientar a construção do novo troço que liga a localidade à estrada de Cantanhede a Mira.
Corticeiro de Cima foi uma freguesia portuguesa pertencente ao concelho de Cantanhede, com 5.39 km² de área e uma população de aproximadamente 720 habitantes. A freguesia foi extinta em 2013, no âmbito de uma reforma administrativa nacional, tendo sido agregada à freguesia de Vilamar, para formar uma nova freguesia, denominada União das Freguesias de Vilamar e Corticeiro de Cima. Apresenta uma densidade populacional de 133.8 hab/km². A sede dista cerca de 12 quilómetros da cidade de Cantanhede, e a localidade fica situada no extremo norte do concelho. Confronta com Carapelhos (Mira) e Fonte de Angeão (Vagos), a norte; Vilamar, a nascente; Mira, a poente; e São Caetano, a sul.
A povoação é atravessada pela Vala Velha, que tem água quase todo o ano. Outrora alimentou os moinhos a que o povo chamava azenhas. A actividade económica é maioritariamente baseada na agricultura, ourivesaria e mercado de electrodomésticos. O povoado possui ainda um grupo e Centro Sócio-Caritativo, local para desporto e um grupo Etnográfico. A sua população distribui-se por 4 lugares: Corticeiro de Cima, Vale do Corticeiro, Quinta e Cabeço Redondo.
Não se conhece muito sobre as suas origens. Apesar de não serem muito antigas, já em 1758 aparecem referenciadas as localidades de Corticeiro Grande e Corticeiro Pequeno, com 25 fogos cada, sendo apenas suplantadas, na Freguesia de Febres, pelas localidades da Fontinha e Boeiro (nome originário de Febres). De acordo com o "Livro do Tombo da Vila de Cantanhede do Excelentíssimo Marquês de Marialva", um pouco mais atrás, em 1683, o Corticeiro Grande tinha então 16 cabeças e o Corticeiro Pequeno 8. Os atuais lugares da freguesia eram parte integrante duma "vigararia da apresentação da mitra de Coimbra". A sentença eclesiástica de 1791 referencia esta aldeia gandaresa como fazendo parte da freguesia de Febres, nesse mesmo ano constitutida e desanexada da de Covões.
Toponímia
Várias são as tentativas que explicam a origem do topónimo Corticeiro. De acordo com alguns, aventa-se a hipótese, ainda que muito remota, de que alguns habitantes de Cortiçõ ou Cortiçóo, povoação já existente no reinado de D. Afonso Henriques (1146) e com carta de foral de 1216, viessem, por quaisquer razão, habitar estas terras gandaresas à beira-mar, tendo-se fixado na freguesia atual. Por serem de Cortiçô os vizinhos terão começado por lhes chamar de corticeiros, dando assim o nome à povoação. O mais óbvio e talvez provável é, como o próprio nome indica, que este núcleo populacional tivesse começado, em tempos remotos, com gente que se dedicasse ao trabalho da cortiça, ainda que esta não fosse assim tão abundante na região.
Atividade Económica
Embora demograficamente se tenha vindo a assistir a uma mudança, a atividade económica continua a ser maioritariamente primária, destacando-se a agricultura. Existem ainda os pequenos comércios. A indústria tem tido um franco crescimento, destacando-se a de electrodomésticos, que muito contribui para o emprego local. Contudo, ainda há quem se dedique à ourivesaria e relojoaria, outrora profissão local em Corticeiro e de onde partiram muitos pelo país fora como ourives ambulantes. Os "célebres malas-verdes, …que, mais tarde, dariam origem às orgulhosas ourivesarias de hoje, espalhadas por todo o país, África e até Brasil - que, já hoje, não são só o orgulho da localidade, mas sim do Concelho de Cantanhede e dos concelhos vizinhos, Mira e Anadia". ("O Marialva", boletim Informativo de Cantanhede de 1963)
Criação da Freguesia
Existia, no que é hoje o centro da aldeia, uma capela ao estilo barroco, originalmente dedicada a São Bartolomeu. Como freguesia eclesiástica, o Corticeiro de Cima começou a sua existência em 27 de Março de 1915 por desmembramento da Freguesia de Febres. A sua formação inicial abarcava as populações de Corticeiro de Cima, Carapelhos, Cabeço Redondo, parte dos Leitões e parte do Corticeiro de Baixo (ambos lugares do concelho de Mira), e a parte oeste de Vilamar, incluindo a sua igreja velha. Com a criação da paróquia de Vilamar, o território paroquial foi reajustado, perdendo os Leitões e a parte ocidental de Vilamar. O padroeiro atual da igreja paroquial passou a ser Nossa Senhora dos Remédios. O Corticeiro de Cima foi finalmente elevado à categoria de freguesia por lei de 4 de Outubro de 1985.
Atualmente, tem-se prezado pela criação de infraestruturas que proporcionem à população maior comodidade e estilo de vida, aliando esta mentalidade a uma de crescimento e valorização da região. Destacam-se a fonte no largo da Igreja, a Junta de Freguesia que possui um centro de prestação de serviços médicos e a escola primária.
Vilamar e Corticeiro de Cima (oficialmente União das Freguesias de Vilamar e Corticeiro de Cima) é uma freguesia portuguesa do município de Cantanhede com 11.05 km² de área, com aproximadamente 1 400 habitantes e densidade populacional de 135.8 hab/km². A sua população distribui-se por 5 lugares: Cabeço Redondo, Corticeiro de Cima, Quinta, Vale do Corticeiro e Vilamar. Unifica as agora extintas freguesias de Vilamar e Corticeiro de Cima, segundo a reforma administrativa nacional de 2013, possuindo a sua sede em Vilamar, local da Junta e Assembleia de Freguesia. Ao lugar de Corticeiro de Cima fica destinada uma sucursal desta.
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